O "A" Encarnado


A história do A ENCARNADO, é o resultado de uma coleta de informações de diversas fontes (fotos antigas, recortes de jornais, livros e depoimentos de veteranos formados nas décadas de 1930 e 1940).

“Em 1931, o estudante de agronomia Ismar Ramos, participante das atividades esportivas dos agricolões, estava com a mente sintonizada na necessidade de termos um símbolo, algo que identificasse os nossos atletas.

Como estava receptivo a aproveitar a oportunidade ou inspiração que surgisse, percebeu, num momento, ao ver um grande sapo de frente, que as pernas da frente do bicho, arqueadas, e a linha da boca, sugeriam a letra A com um traçado peculiar.

Fez o desenho do “A”, em cor vivo-carmim que, logo mais, já estava estampado no uniforme do time de bola-ao-cesto da Associação Atlética Acadêmica Luiz de Queiroz - AAALQ. Ismar formou-se na turma de 1933. O time de futebol também adotou o novo desenho do “A” logo no ano seguinte.

Em 1934, Philippe W. Cabral de Vasconcelos Filho, formado em 1937, primogênito do Prof. Philippe (o parque da ESALQ tem o seu nome), quando ainda aluno do 1º ano de agronomia, coletando material para um trabalho de Botânica encontrou, num canteiro do parque, em uma das flores, uma pequena aranha (9 mm com as pernas abertas) tendo no dorso do abdomen, naturalmente desenhada, a letra “A” com traçado semelhante ao “A” criado por Ismar Ramos.


Entusiasmado com o achado, levou sua pequenina aranha para o Prof. Piza que a descreveu e a classificou como espécie nova, dando-lhe o nome de Metadiaea litterata.

No texto do seu trabalho, publicado na Revista de Biologia e Hygiena, consta a seguinte frase: “ ... tendo no dorso do abdomen a letra A maiúscula, semelhante ao símbolo dos acadêmicos de Agronomia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”.

Embora fosse um achado cercado de notáveis coincidências para torná-la a mascote natural da AAALQ e, por extensão, de todo o corpo discente que compõe a torcida da representação esportiva da ESALQ, a existência da pequenina Metadiaea litterata foi logo esquecida e permaneceu ignorada durante décadas.

Em 1938, talvez 1939, Romeu Italo Ripoli, formado pela ESALQ em 1940, que já não estava muito satisfeito com a figura do sapo como mascote da AAALQ, chamada de Atlética, viu na figura de um Bull-dog Inglês, visto de frente, o quase perfeito encaixe do A, com as pernas tortas e a bocarra do cão, associação semelhante a que havia sido feita por Ismar Ramos com o sapo; só que, dando como resultado extra uma nova mascote, mais adequada para representar o espírito combativo dos agricolões nos campos de esporte.

Ao jornalista Delfim Rocha Neto, grande admirador da ESALQ e fã número um de nossos atletas, é dado o crédito de ter batizado o logo, talvez em 1940, com o nome de “A Encarnado” e ter sido o principal divulgador do símbolo e dos grandes feitos dos atletas da ESALQ.

Em 1987, o Prof. Zilmar, escolhido como paraninfo dos formandos em Engenharia Agronômica, pensando em marcar sua gratidão pela honraria, lembrou-se de ter ouvido, quando aluno do 1º ano de Agronomia, contada pelo Prof. Piza, a história de um bicho que teria no corpo a letra A. De uma conversa com o Prof. Piza resultaram a confirmação da história, uma cópia da separata com a foto original da aranha, o desenho de uma aranha mais agressiva e com novas cores, uma pequena mas importante alteração no traçado a letra A e a publicação no Jornal de Piracicaba, em 17/10/1987 de uma pequena nota, escrita pelo Prof. Piza, com o título “Reencontro com Metadiaea”.

A Empresa Agroceres contribuiu, com a intermediação de Décio Zilberstajn formado em 1975, oferecendo as camisetas com a estampa da Metadiaea. Os formandos as mostraram ao final da colação de grau. Um dos formandos da turma de 1987, Décio Suzuki, apelidado Kaki, pintou o A Encarnado e a aranha Metadiaea litterata na caixa d’água próxima ao Campus “Luiz de Queiroz”.

As fotos de 1934 e 1935 que ilustram o livro de autoria de Romeu Italo Ripoli, com o título QUARENTA ANOS DE GLÓRIAS, e o depoimento de Virgilio Lopes Fagundes, formado em 1937, testificam a favor dos dados apresentados acima. Em 2001, José Peres Romero, formado em 1952, publicou o Livro ESALQ CENTENÁRIA que contém, além do nome de todos os formandos até aquela data, também uma cópia fac-simile do Livro de Romeu Ripoli e dos discursos do Prof. Piza.



EM TEMPO:
Tenho mostrado aos alunos ingressantes, nos últimos três anos, essa história, juntamente com o relato das histórias do “Hino da ESALQ” e da “Ode à ESALQ”.

Ninguém doa nada que não lhe tenha sido dado para doar”
(Luiz Vicente de Souza Queiroz)

TEXTO: Prof. Dr. ZILMAR ZILLER MARCOS ESALQ/USP - F-1955





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